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Por Joaquim Perucio, Diretor-Presidente da Fundação FASTEF
Vivemos um momento em que os grandes desafios da sociedade ultrapassam os limites das disciplinas tradicionais. Problemas como mudanças climáticas, saúde pública, inovação tecnológica e desigualdade social exigem soluções complexas, que integrem diferentes áreas do conhecimento e envolvam múltiplos atores sociais. Nesse cenário, a pesquisa científica de caráter interdisciplinar não é apenas relevante, é essencial. E é nesse contexto que fundações de apoio à pesquisa, como a FASTEF, desempenham um papel estratégico.
Essas fundações atuam como pontes entre a academia, o setor produtivo e o poder público. Funcionam como catalisadoras de iniciativas que muitas vezes não se encaixam nas estruturas formais da pesquisa tradicional, oferecendo a flexibilidade necessária para transformar ideias inovadoras em projetos viáveis, com impacto direto na sociedade.
Na FASTEF, temos observado um crescimento constante na demanda por projetos interdisciplinares, que reúnem profissionais de áreas diversas, como engenheiros, sociólogos, biólogos, cientistas da computação, entre outros. É justamente na intersecção entre esses saberes que surgem as soluções mais criativas, eficazes e transformadoras.
No entanto, a interdisciplinaridade traz desafios concretos. Como estruturar projetos que não seguem padrões tradicionais? Como garantir sua viabilidade diante de editais e normas muitas vezes rígidas? Cabe às fundações criar mecanismos mais ágeis, capazes de oferecer suporte técnico, jurídico e administrativo compatível com as novas demandas da ciência.
Mais do que gestoras de recursos, as fundações devem se posicionar como articuladoras, incentivando uma cultura institucional que valorize a integração entre áreas do conhecimento. Isso inclui promover eventos intersetoriais, oferecer assessoria especializada e defender editais mais abertos a propostas inovadoras. A FASTEF tem avançado nesse caminho, consciente de que essa atuação fortalece a produção e a aplicação do conhecimento científico.
O futuro da ciência passa pela superação das barreiras disciplinares. As fundações de apoio têm a chance de liderar essa transformação, conectando a pesquisa científica aos grandes desafios do nosso tempo.


